Indígenas realizam encontro para denunciar garimpos ilegais


Lideranças denunciam contaminação de rios 

No próximo dia 24 e 25 de agosto a Organização Indígenas Kayapó do Baú (OIB) realiza, em Altamira-PA, o ‘Encontro dos Índios Kayapó da Terra Indígena Baú’, com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos e em parceria com o Instituto Kabu, Fundo Dema e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). O objetivo é discutir a existência de garimpos que se instalaram ilegalmente no território e ocasionaram a poluição do rio Curuá. São esperados para o evento representantes dos povos indígenas e de órgãos governamentais, dentre eles o Ministério Público Estadual (MPE).

Contaminação

A Terra Indígena (TI) Baú é parte do território tradicional da comunidade indígena Kayapó-Mekrãgnoti-Baú (termo utilizado para diferenciá-los) e está localizada no extremo sul do município de Altamira, Estado do Pará. A TI Baú situa-se na região compreendida entre os Rios Cateté, Baú e Curuá. Sendo este último, o rio onde tem sido despejada grande quantidade do elemento químico mercúrio, comumente usado para a extração de ouro pelos garimpos ilegais do território, segundo reivindicação dos indígenas da localidade.

Kagroti Kayapó, presidente da OIB, afirma que a situação advém de longa data.

“Neste rio nós tiramos nosso alimento, tomamos banho e, por isso, estamos constantemente ameaçados por esses elementos químicos. Os garimpos ilegais existem desde 1990 e o governo nunca tomou providência para a desativação deles.”

Kagroti ainda ressalta que a poluição do rio tem afetado a saúde da população indígena e causado desequilíbrio no meio ambiente.

“Houve um crescimento da mortalidade infantil na aldeia nos últimos três anos, assim como o aumento da dengue, malária e diarreia na população em geral. Além disso, essa prática tem causado danos ambientais sérios, como a modificação da paisagem e remoção da biomassa.”

Expectativa
Diante do cenário, os indígenas se uniram para realizar o ‘Encontro dos Índios Kayapó da Terra Indígena Baú’ e reivindicar a ajuda dos órgãos competentes para resolução da situação calamitosa em que estão vivendo. As lideranças solicitam cumprimento das leis sobre crimes ambientais e violação dos direitos humanos e da vida. Para Kagroti a situação é urgente. “Nossa expectativa em relação a esse encontro é que o governo tome providências o mais rápido possível, pois o nosso povo e a natureza não podem continuar a sofrer devido a inadimplência do poder público em relação a esses garimpos ilegais.”

Acesse aqui o documento de convocação para o evento.   

Texto: Juliana Lima (ASCOM IEB) 

Fotos: Mydjere Kayapó e Painkre Kayapó (OIB)